Tudo o que possuia caberia facilmente dentro daquele quarto. Um travesseiro, duas cobertas, alguns lençóis e fronhas, um porta garrafa de isopor (suposta geladeira) e uma incrível e resistente televisão de 5 polegadas (preto e branco). Roupas? Apenas as mais esculachadas... não queria se enfeitar, não havia motivo.
O clima daquela cidade era estranho para ela. Muitos turistas se encantavam, dizendo ser um clima "europeu". Até aquele momento não entendia ao certo o verdadeiro significado desta expressão "clima europeu", mas confiava no bom gosto dos visitantes. Para a sua surpresa, ao seu lado, havia uma outra moça que também cursava o seu curso, ou melhor, era sua colega de sala. Sentia-se mais segura com essa presença.
A primeira noite naquele lugar lhe parecia agradável. O ceu estava encoberto e fazia um pouco de frio. Como ela não possuia fogão (este, assim como a velha geladeira de sua casa) chegariam dentro de alguns dias, mediante a boa vontade do amigo de seu namorado e porque não, a disposição dele também. Não se importava. Apenas gostaria de tomar um chá quentinho e não podia!
O que não tem remédio... bom, arrumou as roupas, escovou os dentes e ligou a tv. Sentiu vontade de chorar, mas essa vontade era pequena tamanho o seu cansaço físico. Adormeceu.
O despertador dera o sinal de vida. Eram 9 hrs da manhã, mas parecia ser bem mais cedo. Ela levantou-se meio que atordoada, seguiu em direção da janela e qual fora a sua agonia? A paisagem havia desaparecido. Tudo... as árvores, o quintal, a vista da cidade... tudo branco! Sentiu uma pontada no peito.
O mundo está acabando? E quanto mais observava aquela "falta de paisagem", mais a cor acinzentada tomava conta de tudo lá fora. Lembrou-se dos filmes de suspense, onde essa mudança brusca de clima e temperatura prenunciava algo sinistro. Ficou estática perante a janela. Nunca havia presenciado aquilo tão de perto. O telefone toca. Tomou um pequenino susto. Sua mãe, atenciosa, perguntava como havia passado a noite. Ela responde a verdade, dormira feito pedra! Em seguida, ela começa a descrever aquilo que estava observando. Realmente, a imagem de sua janela fora se transformando em seu pensamento. O que antes lhe aterrorizou, aos poucos, tornara-se algo magnífico. Um presente de boas vindas. Agradeceu mais uma vez a Deus por lhe proporcionar aquele cenário tão raro.
Arrumou os seus cobertores, pegou algumas peças de roupas e se dirigiu ao banheiro. Queria se sentir limpa e cheirosa para mais um dia de aula.
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